Curativo de pressão negativa para o tratamento de feridas

Publicado em 11 de janeiro de 2015

Curativo de Pressão Negativa (CPN)

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O curativo sob pressão negativa (CPN) tem sido citado freqüentemente na literatura como excelente alternativa para o tratamento de feridas. É indicado para uma variedade de lesões que incluem feridas agudas como:
– fraturas expostas
– lesões extensas de partes moles
– queimaduras
– ressecções cirúrgicas
– feridas crônicas, como escaras, infecções e deiscência de feridas operatórias.

O CNP foi desenvolvido na tentativa de proteger e acelerar o processo de cicatrização. Primariamente descrito por Argenta e Morykwas35, 36, no ano de 1997, ele consiste na aplicação de uma esponja estéril na cavidade da ferida, instalação de um envoltório plástico adesivo sobre a esponja, que gera um sistema selado onde então é aplicada pressão sub atmosférica através de um tubo rígido conectado a um aspirador .

Os mecanismos de ação do curativo sobre a lesão são: redução do edema intersticial, redução da infecção, estresse mecânico e estímulo a angiogênese:

I. Redução do edema intersticial: O edema intersticial presente na lesão prejudica a microvasculatura e o sistema linfático, o que sobrecarrega os capilares e veias. A pressão local leva a um déficit circulatório, o que diminui a oferta de oxigênio, nutrientes e fatores de crescimento. A sobrecarga do sistema linfático e venoso leva a uma redução na drenagem de fatores inibitórios (proteases, como as elastases) e endotoxinas bacterianas. Com a pressão negativa sendo aplicada sobre a ferida, atinge-se uma remoção macroscópica do fluido intersticial, gerando uma redução no turgor tecidual e diminuindo a sobrecarga venosa. Dessa forma gera-se um aumento no fluxo sanguíneo local e uma melhor perfusão da ferida.

II. Redução da infecção: Com o incremento da vasculatura e oxigenação local, reduz-se a colonização por organismos anaeróbios, a disponibilidade de oxigênio leva a um aumento na função dos neutrófilos e subseqüente aumento na resistência à infecção através da produção de radicais oxidativos antibactericidas. Morykwas demonstrou uma diminuição da colonização bacteriana em tecido porcino infectado (108 bactérias/grama de tecido) comparado a ferimentos controle. Estudos em humanos confirmaram mostrando redução da colonização bacteriana em feridas submetidas ao curativo sob pressão negativa, a níveis clínicos de 102-103/grama de tecido.

III. Estímulo a angiogênese: As forças mecânicas possuem um potencial conhecido de estimularem a angiogênese35, 39-41, promoverem a liberação de segundos mensageiros e estimularem a proliferação endotelial. Dessa forma, encontrou-se uma densidade capilar aumentada em ferimentos tratados com terapia de pressão negativa em relação a ferimentos controle. As secreções da ferida também possuem quantidade aumentada de proteases, que dificultam a cicatrização. Formam assim um ambiente hostil a angiogênese e a proliferação de queratinócitos, fibroblastos e células endoteliais43. A terapia de pressão negativa, por sua vez, drena essas secreções ricas em proteases e metaloproteases, estimulando a angiogênese e a cicatrização do ferimento.

IV. Aproximação dos bordos da ferida: A orientação do curativo permite aplicar uma força uniforme na superfície da ferida. Gera também uma força centrípeta, que aproxima os bordos, reduzindo o tamanho da ferida. A carga gerada permite a proliferação tecidual local, pelo mesmo mecanismo que encontramos na expansão tecidual e no método de Ilizarov. Sugere-se que a aplicação de terapia sob pressão negativa, causando pressão local externa ao ferimento, leva a um aumento na proliferação de fibroblastos e células endoteliais, com consequente produção de colágeno e estímulo a angiogênese. Os mecanismos que explicam esse estímulo são a liberação de íons de cálcio, inositol-trifosfato e creatinofosfoquinases pela ação de estresse sobre a parede celular.

Na Clínica CEPELLI, o Curativo de Pressão Negativa é indicado para vários tipos de lesões, conforme recomenda a literatura pertinente, como:

– queimaduras
– ressecções de cicatrizes hipertróficas
– fraturas expostas
– lesões extensas de partes moles
– escaras
– deiscência de feridas operatórias
– como terapia adjuvante na maturação da matriz de regeneração dérmica.

O corpo clínico da CEPELLI optou pela utilização do curativo a vácuo da KCI por ser o mais utilizado em todo mundo e o mais mencionado em publicações científicas que destacam seu controle e eficácia.

Por fim, a terapia com pressão negativa tem sido empregada em associação à MRD com o objetivo de melhorar o tempo de angiogênese45, reduzindo assim o tempo da vascularização completa do enxerto (3-6 semanas). A combinação de ambos costuma implicar em redução dos custos hospitalares, dos riscos de complicações associados com os procedimentos cirúrgicos e do período em que o paciente ficaria disponível à bio-integração do seu enxerto.

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